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Dor Pélvica Vascular

A dor de muitas mulheres vista por poucos.

Uma dor que persiste por meses, piora ao final do dia, ao ficar em pé por muito tempo ou após a relação sexual — e que, muitas vezes, já passou por vários consultórios sem receber um nome. Em uma parcela expressiva das mulheres, a origem está nas veias da pelve.

Destaque · caso tratadoAssista ao vídeo de um caso real — do diagnóstico ao tratamento.
Ilustração da circulação venosa e arterial da pelve e dos membros inferiores
A rede venosa pélvica drena útero, ovários e a raiz dos membros inferiores — quando falha, gera dor crônica e varizes atípicas.

Dimensão do problema

Um problema comum, silencioso e frequentemente confundido.

A Dor Pélvica Crônica é definida como dor na região baixa do abdome com duração superior a seis meses. Estima-se que atinja cerca de uma em cada sete mulheres em idade reprodutiva. Dentro desse grupo, a literatura aponta que de 15% a 40% dos casos têm participação direta da congestão venosa pélvica — varizes pélvicas e uterinas, refluxo das veias ovarianas e compressões venosas como a Síndrome de May-Thurner e o Quebra-Nozes (Nutcracker).

Aplicando essas proporções à população feminina do Estado do Rio de Janeiro entre 20 e 50 anos — aproximadamente 3,5 milhões de mulheres — chega-se a uma estimativa da ordem de 150 mil mulheres fluminenses convivendo com dor pélvica de origem vascular. A maioria delas ainda sem diagnóstico.

15–40%

das mulheres com Dor Pélvica Crônica

têm congestão venosa pélvica como causa principal ou associada do quadro.

1 em 7

mulheres em idade reprodutiva

convive com dor pélvica crônica — grande parte sem diagnóstico definido.

~150 mil

mulheres no Rio de Janeiro

estimativa de casos de dor pélvica de origem venosa na faixa dos 20 aos 50 anos.

Estimativas construídas a partir de dados populacionais e da literatura médica sobre congestão venosa pélvica; servem como referência epidemiológica e não substituem avaliação individual.

Causas vasculares mais comuns

O que está por trás da dor: síndromes venosas e malformações arteriovenosas.

Na maioria dos casos, a dor pélvica de origem vascular nasce de um obstáculo ao retorno do sangue venoso da pelve. Identificar qual mecanismo predomina é o que define o tratamento correto.

Síndrome de Congestão Pélvica

Insuficiência das veias ovarianas (gonadais) e pélvicas, com refluxo e dilatação das veias ao redor do útero e dos ovários. É a causa venosa mais frequente de dor pélvica crônica na mulher em idade fértil.

Síndrome de May-Thurner (Cockett)

Compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita contra a coluna vertebral. Gera hipertensão venosa pélvica, varizes atípicas, edema do membro inferior esquerdo e risco aumentado de trombose.

Saiba mais

Síndrome do Quebra-Nozes (Nutcracker)

Compressão da veia renal esquerda entre a artéria mesentérica superior e a aorta. Cursa com dor em flanco esquerdo, sangue na urina (micro-hematúria) e refluxo para a veia ovariana esquerda, alimentando as varizes pélvicas.

Insuficiência das veias pudendas e obturatórias

Refluxo por vias venosas de escape que se exteriorizam como varizes vulvares, perineais e da face interna das coxas — frequentemente rotuladas apenas como 'varizes estéticas'.

Sequela pós-trombótica ilíaco-femoral

Obstruções e cicatrizes valvares após trombose venosa profunda mantêm a hipertensão venosa pélvica, com dor crônica, peso e edema persistentes.

Malformações arteriovenosas pélvicas

Comunicações anômalas entre artérias e veias — congênitas ou adquiridas (após cirurgias, partos ou traumas) — que lançam sangue arterial sob alta pressão diretamente no sistema venoso pélvico. Causam dor pulsátil, sangramentos, varizes de rápida evolução e exigem confirmação com Doppler e estudo angiográfico.

Sinais e sintomas

Como a dor pélvica vascular se manifesta.

  • Dor pélvica há mais de 6 meses, em peso ou queimação
  • Piora ao ficar muito tempo em pé ou sentada e ao final do dia
  • Dor durante ou após a relação sexual (dispareunia)
  • Piora no período pré-menstrual e durante a menstruação
  • Sensação de inchaço e pressão no baixo ventre
  • Varizes atípicas na vulva, na região glútea ou na face interna das coxas
  • Urgência ou desconforto urinário sem infecção comprovada
  • Edema (inchaço) ou predomínio de varizes em apenas um dos membros inferiores, notadamente na perna esquerda
  • Melhora ao deitar-se e elevar as pernas
Ilustração médica de varizes pélvicas: dilatação das veias ao redor do útero e dos ovários
Varizes pélvicas: veias dilatadas e tortuosas ao redor do útero e dos ovários. O sangue que deveria retornar ao coração fica represado, distende a parede venosa e estimula terminações nervosas — a origem da dor em peso característica do quadro.

Diagnóstico subestimado

Muitas mulheres ouvem que “não há nada errado”.

A dor pélvica de origem venosa é uma das condições mais subdiagnosticadas da medicina feminina. Por não aparecer nos exames de rotina, é frequentemente rotulada como “dor sem causa” ou atribuída exclusivamente ao estresse. A investigação vascular dirigida muda esse cenário: identifica a causa, dá nome ao problema e abre caminho para um tratamento eficaz.

Anos até o diagnóstico

Não é raro que a paciente peregrine por diferentes especialidades por 3 a 7 anos antes de a causa venosa ser investigada.

Exames convencionais normais

Ultrassom pélvico de rotina, laparoscopia e exames laboratoriais frequentemente não mostram alteração — e a dor é atribuída ao emocional.

Falta de suspeita clínica

A congestão venosa pélvica ainda é pouco lembrada fora da cirurgia vascular, o que mantém o diagnóstico amplamente subestimado.

Impacto real na vida

Sono, trabalho, atividade física e vida sexual são afetados — com repercussão emocional que se soma ao sofrimento físico.

Doppler venoso colorido demonstrando compressão da veia ilíaca comum esquerda, com fluxo colateral
Doppler venoso colorido do eixo ilíaco-cava: a veia ilíaca comum esquerda (VICE) aparece comprimida entre a artéria ilíaca comum direita (AICD) e a coluna vertebral — o achado clássico da Síndrome de May-Thurner. O mapa de cores evidencia a aceleração do fluxo no ponto de estreitamento e a circulação colateral de desvio. Fonte: Imagem Própria

O papel do Doppler

O exame que revela o que nenhum outro mostra.

O Doppler Vascular é o método central no diagnóstico da dor pélvica venosa. Indolor, sem radiação e sem contraste, permite avaliar em tempo real o calibre das veias, a direção do fluxo, a presença de refluxo nas veias ovarianas e — de forma decisiva — as compressões venosas do eixo ilíaco-cava.

É um exame profundamente dependente do examinador: exige protocolo dirigido, manobras específicas e experiência para diferenciar o achado incidental daquele que realmente explica a dor da paciente. Feito corretamente, define o diagnóstico, orienta a necessidade de exames complementares (angiotomografia, flebografia) e determina a estratégia de tratamento.

Conhecer o Doppler Vascular

Método complementar

Angiotomografia: o mapa detalhado depois do Doppler.

Quando o Doppler mostra sinais de alteração — compressão do eixo ilíaco-cava, refluxo ovariano ou circulação colateral —, a angiotomografia venosa do abdome e da pelve é o passo seguinte. Ela confirma o achado, define a anatomia em três dimensões e transforma uma suspeita funcional em um plano de tratamento objetivo.

Reconstruções 3D de angiotomografia venosa do abdome e pelve em múltiplas projeções
Reconstruções tridimensionais em múltiplas projeções da angiotomografia venosa do abdome e da pelve, evidenciando o eixo ilíaco-cava, as veias gonadais e a rede de colaterais pélvicas. Fonte: Imagem Própria
Reconstrução 3D ampliada mostrando o eixo venoso ilíaco e colaterais pélvicas
Detalhe ampliado do cruzamento arteriovenoso: a veia ilíaca comum esquerda passa sob a artéria ilíaca comum direita, com colaterais pélvicas de desvio bem demonstradas. Fonte: Imagem Própria

Como o exame é feito

É um exame de tomografia computadorizada realizado com injeção de contraste iodado por uma veia do braço. A paciente permanece deitada e a aquisição das imagens dura poucos segundos, em fase venosa programada para opacificar bem as veias pélvicas e o eixo ilíaco-cava. Depois, as imagens são reconstruídas em três dimensões e em múltiplos planos. Do preparo à saída, tudo costuma levar cerca de 20 a 30 minutos, sem internação, sem cortes e sem anestesia — exige apenas jejum leve de 4 horas e função renal conhecida.

Principais indicações

  • Confirmar compressões venosas suspeitadas ao Doppler (May-Thurner, Nutcracker) e medir com precisão o grau de estenose.
  • Mapear varizes pélvicas, veias ovarianas dilatadas e a rede de colaterais antes de qualquer tratamento.
  • Excluir causas não vasculares da dor pélvica e outras compressões extrínsecas (massas, endometriose profunda, fibrose).
  • Planejar o procedimento endovascular: escolha de acesso, diâmetro e extensão do stent, ou embolização das veias ovarianas.
  • Acompanhar o resultado após o tratamento, avaliando patência do stent e regressão das colaterais.

Segurança do método

A angiotomografia é um exame seguro e amplamente validado. Os equipamentos modernos trabalham com protocolos de baixa dose de radiação, e o contraste iodado de última geração tem baixíssimo índice de reações — as alergias graves são raras. A avaliação prévia da função renal e a hidratação adequada praticamente eliminam o risco de repercussão nos rins.

Não é indicada na gestação e deve ser individualizada em casos de alergia conhecida ao contraste ou doença renal avançada. Por isso ela é solicitada de forma criteriosa: só após o Doppler apontar uma alteração relevante, e não como exame de rastreio.

Destaque · caso tratado

Um caso real, do diagnóstico ao tratamento.

Assista ao registro de um caso de dor pélvica de origem venosa acompanhado pelo Dr. Stefan Simões — a investigação, a decisão terapêutica e o resultado obtido.

Experiência dedicada

Mais de 15 anos dedicados exclusivamente a esta condição.

Dentro de 33 anos de cirurgia vascular, o Dr. Stefan Simões dedica-se há mais de 15 anos ao diagnóstico e ao tratamento da dor pélvica de origem vascular. Essa dedicação continuada resultou em um protocolo próprio de investigação — anamnese dirigida, exame físico específico e Doppler Vascular realizado pessoalmente pelo médico — que encurta o caminho entre a queixa e o diagnóstico correto.

Atualmente é responsável pelo Ambulatório de Dor Pélvica Vascular do Hospital Niterói D'Or, referência regional no atendimento de mulheres com essa condição, e atende em consultório próprio em Icaraí, Niterói.

Próximo passo

Sua dor tem causa — e pode ter tratamento.

Agende uma avaliação dirigida com Doppler Vascular e descubra se a origem da sua dor pélvica é venosa.